Casa Branca fabricou dossiê contra árbitro brasileiro para pressionar Fifa

A decisão da Fifa de suspender o cartão vermelho dado ao jogador da seleção dos EUA, Folarin Balogun, depois de uma pressão por parte de Donald Trump abriu uma profunda crise política no esporte. Informações obtidas pelo ICL Notícias com membros da entidade máxima do futebol revelam que a Casa Branca e aliados do presidente chegaram a montar um dossiê contra o árbitro brasileiro Raphael Claus.

Havia sido ele quem, no jogo da rodada anterior, expulsou o americano. O fato foi confirmado pelo VAR e chancelado, depois, por uma comissão de árbitros. Mas o que ocorreu nas horas seguintes ao fato revelaria uma mobilização por parte da Casa Branca para violar todas as regras da Fifa e promover uma intervenção.

Um dos primeiros a tomar a palavra foi o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio. Naquele momento em que ele chamou a decisão de “desgraça”, ficou evidenciado que Washington não deixaria o caso barato.

No mesmo dia do jogo, Trump telefonou para Gianni Infantino para consulta-lo sobre o que diziam as regras da Fifa sobre a retirada de um cartão. Enquanto isso, sua equipe e aliados, entre eles empresários envolvidos no futebol, iniciaram a construção de um dossiê para denunciar Raphael Claus.

O documento tinha como objetivo mostrar inconsistências do árbitro ao longo de sua carreira e, assim, pressionar a Fifa a agir contra o brasileiro.

Nesta segunda-feira, a crise havia já se ampliado. Numa declaração pública, a UEFA criticou a decisão, classificando-a como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.

A UEFA afirmou que intervir para, na prática, anular uma suspensão em um torneio “ultrapassou um limite”.

A entidade alertou que a suspensão automática de uma partida “não é uma opção discricionária”, mas sim “um princípio consagrado nos regulamentos”.

“Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus guardiões, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é minada”, afirmou a UEFA em comunicado.

“Da mesma forma, tal decisão cria um precedente no torneio em curso, onde situações semelhantes agora exigiriam tratamento igualitário, em detrimento da competição. Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão sem precedentes, incompreensível e injustificável”, apontou.

Glenn Micallef, comissário de esportes da União Europeia, também criticou a decisão, alertando que essas medidas “cabem às entidades esportivas, não aos políticos”. “Influenciar decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte”, publicou ele no X. “Nosso foco deveria estar, na verdade, nos reais desafios de governança que o esporte enfrenta, incluindo a instrumentalização do esporte para fins políticos”, disse, num recado contra Trump.

O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, diz haver total confusão em relação ao processo disciplinar na Copa do Mundo após a decisão sobre Balogun.

“Onde isso começa e onde termina agora?”, disse Tuchel. “Podemos reverter ou não? O que está acontecendo?” “Quem anula essa decisão, quando e com que fundamentos? E até onde isso vai agora?”, questionou.

Até mesmo o ex-presidente da Fifa entrou no debate. Joseph Blatter foi às redes sociais para dizer que “cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos”. “Eles são anulados com base em regras, evidências e órgãos independentes”, insistiu.

“Se um presidente dos EUA intervém junto ao presidente da FIFA — e um jogador é subitamente liberado para jogar uma partida de mata-mata da Copa do Mundo —, a pergunta torna-se inevitável: *Quo vadis* [para onde você vai], FIFA?”

Fonte: Intercept Brasil

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