Guru do RS acusado de desviar R$ 20 milhões de seguidores gastou dinheiro com apostas e viagens de luxo, diz polícia

 Foto: Reprodução

 

Investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, o guru espiritual da comunidade alternativa Oscho Rachana, Aldir Aliatti, conhecido como Prem Milan, teria desviado cerca de R$ 20 milhões de seguidores. O montante foi gasto em viagens luxuosas, apostas online e investimentos, segundo as autoridades. A defesa do suspeito nega as acusações.

— As pessoas venderam carros, fizeram empréstimos, foram avalistas de negócios. Ele comprou muitos imóveis e tudo era revertido para uso pessoal — explica a delegada Jeiselaure de Souza, responsável pela investigação. — Na metade deste ano, as vítimas começaram a perceber que havia algum problema financeiro e constataram o prejuízo de R$ 4 milhões, que ele teria perdido com dívidas, apostas online, viagens.

Nesta quarta-feira, os policiais aprenderam vários documentos, computadores, telefones celulares e máquinas de cartão, além de várias fotografias. Segundo a delegada Jeiselaure de Souza, a investigação teve início após ex-integrantes do grupo procurarem o Ministério Público do Rio Grande do Sul com denúncias de ilegalidades praticadas pelo suspeito.

— Eles narraram uma série de crimes que eram praticados lá, desde financeiros a agressões físicas e verbais que configuram uma verdadeira tortura psicológica — diz a delegada, que cita ainda os crimes de estelionato e curandeirismo. — Essas pessoas procuravam essa comunidade porque ele oferecia curas a partir de terapias alternativas bioenergéticas.

As atividades do grupo incluíam também a prática de sexo como processo terapêutico, com denúncias de crianças expostas aos atos. Os pacotes de imersão na comunidade custavam entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Se decidissem morar no local, os membros da seita passavam a pagar um mensalidade e participavam de atividades como a venda de agendas, cadernos e pão. A promessa de Adir Aliatti era que os ganhos seriam revertidos a favor da comunidade. Isso, no entanto, não acontecia, segundo a Polícia Civil.

Após a pandemia, Adir Aliatti passou a exigir que os membros da comunidade fizessem empréstimos bancários de alto valor a favor do grupo. Os valores, contudo, teriam sido usados pelo próprio suspeito em viagens luxuosas e investimentos. A polícia estima que o valor desviado pelo suspeito seja de R$ 20 milhões. As dívidas contraídas na pandemia deixaram uma dívida de R$ 4 milhões na comunidade. Os filhos de Adir também são investigados.

— Ele coagia as vítimas com base nas informações obtidas nas terapias, que eram feitas nesses processos de imersão — conta a delegada, destacando que os membros que não aceitassem contribuir conforme Adir Aliatti mandava eram punidos. — Em encontros ali dentro, ele execrava, humilhava essas pessoas na frente de todo mundo, chegando, inclusive, às agressões físicas.

Em nota, a defesa Aliatti nega as acusações e diz que o guru já se colocou à disposição das autoridades. “Aliatti confia na justiça e não se furtará de prestar todos os esclarecimentos devidos nos foros e momentos adequados. Até onde teve conhecimento dos fatos investigados, a materialidade na narrativa não se sustenta por falta de elementos”, diz o comunicado assinado pelo advogado Rodrigo Oliveira de Camargo.

 

Fonte: O Globo

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