Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por suspeita de lavar dinheiro do filho, líder do Escritório do Crime

 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

 

Ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a mãe do miliciano do Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, foi denunciada nesta quinta-feira pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho em pontos controlados pelo filho.

Adriano, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi morto em 2020 e, conforme as investigações, sua mãe foi uma das responsáveis por “receber, movimentar e ocultar” valores a partir de empreendimentos de fachada. Questionado pelo GLOBO, Flávio ainda não se manifestou.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada no Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, a exploração do jogo do bicho ocorria na Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana, em parceria com o bicheiro Bernardo Bello. Conforme as investigações, as transações ilegais superaram R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano. A mesma operação, em outro âmbito, também denunciou a viúva de Adriano, Julia Lotufo, suspeita de vender imóveis e propriedades rurais que pertenciam ao miliciano.

Raimunda ingressou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 2015, quando trabalhou para o Partido Progressistas (PP). No ano seguinte, ela foi trabalhar no gabinete de Flávio (cargo CCDAL-5), à época deputado estadual pelo próprio PP. A remuneração era de R$ 6,5 mil — equivalente a R$ 12,4 mil em valores corrigidos pela inflação.

Ela foi exonerada em novembro de 2018, quando Flávio foi eleito senador, após o surgimento de denúncias de “rachadinhas” no gabinete do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outro alvo da denúncia àquela altura foi Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano, que trabalhou como assessora de Flávio entre setembro de 2007 e novembro de 2018. Segundo o MP, elas repassaram quase 20% dos salários recebidos no gabinete para outro assessor, Fabrício Queiroz, apontado como principal pivô do esquema.

O caso foi arquivado em 2021 após a anulação de provas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Flávio conseguiu anular a ação criminal com base em erros processuais, e o mérito do caso acabou nunca sendo julgado.

 

 

Fonte: O Globo

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