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Foto: Kayo Magalhães / Câmara
O deputado federal Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmou nesta quarta-feira 14 que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vive uma “prisão política”. Em entrevista ao programa Meio Dia RN, da 96 FM, o parlamentar declarou ainda que os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 são vítima de “injustiça” e “perseguição”, praticadas especialmente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes – a quem ele chama de “tirano”.
Na avaliação do parlamentar, é “muito clara a perseguição política” contra Jair Bolsonaro. Ao mencionar que o ex-presidente tem 70 anos de idade e enfrenta consequências do atentado à faca sofrido na campanha eleitoral de 2018, o deputado sustentou que, “na pior das hipóteses”, Bolsonaro deveria receber um benefício humanitário, como a possibilidade de cumprir pena em casa. “No mínimo, seria uma domiciliar humanitária”, declarou.
Durante a entrevista, o deputado do PL defendeu que o Congresso Nacional derrube o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria – que prevê redução de pena para os condenados do 8 de janeiro. O texto prevê que Bolsonaro teria a pena reduzida de 27 anos e 3 meses para cerca de 20 anos. Além disso, o tempo de regime fechado cairia para 2 anos e 4 meses. O ex-presidente está cumprindo pena desde o fim de novembro de 2025.
“Eu não tenho dúvida de que o Congresso tem maioria para derrubar o veto. Nós teríamos hoje, aliás, maioria do Congresso para aprovar a anistia ampla, geral e irrestrita, que seria de fato fazer justiça, impedir que continue essa injustiça”, declarou Gonçalves.
Além de Jair Bolsonaro, o parlamentar citou casos de pessoas que, segundo ele, estariam sendo punidas de forma desproporcional por ligação com os atos de 8 de janeiro e relatou nomes de cidadãos que estão com restrições judiciais, como tornozeleira eletrônica e limitações de deslocamento.
Questionado no estúdio sobre o receio de retaliações por críticas ao ministro Alexandre de Moraes, o parlamentar respondeu que já enfrenta processo e atribuiu o caso a perseguição política. “Estou respondendo um processo, inclusive, por abolição violenta do Estado Democrata de Direito”. Segundo ele, a acusação teria decorrido de “postagem de um vídeo”.
Na entrevista, o deputado ampliou suas críticas ao Supremo e ao que chamou de “instabilidade institucional e jurídica” no País. Ele também afirmou que, em sua avaliação, há desproporcionalidade quando compara punições aplicadas a envolvidos nos atos com situações de violência em outros contextos.
Ao falar de sua atuação como policial militar, disse: “O que eu vejo bandido sair e ser colocado em liberdade”, contrapondo ao tratamento dado a pessoas que, segundo ele, “não cometeram crimes” ou que teriam cometido infrações menos graves.
O parlamentar afirmou que a discussão sobre anistia deveria ser vista como “questão de justiça” e não apenas como um embate entre campos ideológicos. “Eu acho que numa pauta de direita, de esquerda, de centro, eu acho que é uma questão de justiça”, declarou.
Fonte: Agora RN