Quem são os mortos e presos? Entenda o que se sabe até agora sobre a operação mais letal do Rio

Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

 

A operação mais letal do Rio, deflagrada por policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, na terça-feira, já deixou 113 presos e ao menos 119 mortos. O número, atualizado na manhã desta quarta-feira, aumentou após a retirada de corpos na região de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia. Entre os mortos estão quatro policiais e pessoas que o governo classifica como “suspeitas”. O governador Cláudio Castro afirmou, no entanto, que ainda não é possível precisar o total de vítimas, já que a contagem oficial só é feita quando os corpos chegam ao Instituto Médico-Legal (IML) ou a hospitais públicos. Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, os policiais são as “únicas vítimas” dos confrontos.

O principal alvo da operação, que mobiliza 2,5 mil agentes, é Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, apontado como integrante da cúpula do Comando Vermelho (CV). Na terça-feira, ele passou a estampar um novo cartaz de “procurado” do Disque Denúncia, com a recompensa elevada de R$ 1 mil para R$ 100 mil. Também são procurados Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; Carlos Costa Neves, o Gadernal; e Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão — todos identificados como chefes do CV.

O policial do Bope Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, tinha pelo menos 14 anos de experiência na divisão de elite. Ele chegou a ser socorridos com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Heber tinha deixa a esposa, dois filhos e um enteado. Nas redes sociais, o Bope lamentou a mortes dos policiais.

“Dedicaram suas vidas ao cumprimento do dever e deixa um legado de coragem, lealdade e compromisso com a missão policial militar”, diz o comunicado.

O policial do Bope Cleiton Serafim Gonçalves tinha 17 de carreira. Assim como Heber, ele também chegou a ser atendido no HGV, mas não resistiu. Serafim tinha 42 anos e deixa uma esposa e filha.

Há apenas dois meses na corporação, Rodrigo Cabral estava lotado na 39ª DP (Pavuna), era considerado um profissional promissor. Durante o confronto, ele levou um tiro na nuca e não resistiu aos ferimentos. Nas redes sociais, o policial compartilhava momentos de sua vida fora do trabalho Em quase todas as fotos, aparecia sorridente, cercado pela família: viagens com a esposa e a filha, brincadeiras com elas e idas ao estádio Nilton Santos para acompanhar o Botafogo, time do coração.

Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, conhecido entre colegas como Máskara, apelido pelo qual era amplamente conhecido, tinha uma longa carreira na Polícia Civil e recentemente assumiu uma das chefias da 53ª DP (Mesquita), estava há 20 anos estava nos quadros da corporação e era muito respeitado entre colegas pela atuação no enfrentamento ao crime organizado, costumava participar diretamente das operações em campo, mesmo ocupando cargo de chefia.

Ele foi atingido na cabeça. Um áudio gravado por uma policial que o socorria na favela mostra o cenário de guerra que os agentes enfrentaram. Em meio ao som de tiros e explosões, ela comunicou à corporação que Marcus Vinicius havia sido baleada. Ele foi levado ao Hospital estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu.

“Galera, o Maskara foi baleado na cabeça, a gente tá preso aqui na favela, estou pedindo prioridade. Tem que dar uma atenção, é sério, o Maskara foi baleado na cabeça”, disse a policial.

Outros mortos

Ainda não há investigação da Polícia Civil a respeito dos mortos nesta operação. No entanto, o Governo do Estado já trata do número como sendo de pessoas “suspeitas”.

Um avô — que criou o neto como filho — contou que não conseguiu ver o cadáver de Jean Alex Santos Campos, o Café, de 17 anos, na manhã desta quarta-feira, pois já tinha sido removido pelo rabecão.

No Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio, aguardando o reconhecimento do corpo do marido, Maria Fernanda Araújo e o irmão, Pedro, relatam o marido, Adaylton Bruno, já sabia da operação na madrugada de terça-feira e havia conversado com ela antes. Segundo os familiares, Adaylton Bruno era envolvido com o Comando Vermelho e participou da operação. Seu corpo foi encontrado na mata, com um tiro no rosto.

 

Fonte: O Globo

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