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Foto: Gleb Garanich/Reuters
A Rússia alertou os Estados Unidos nesta quarta-feira (27) para interromper o que chamou de “espiral de escalada” sobre a Ucrânia, mas disse que continuaria informando Washington sobre lançamentos de mísseis de teste para evitar “erros perigosos”.
Os comentários do vice-ministro das Relações Exteriores Sergei Ryabkov enviaram um sinal de que Moscou quer manter os canais de comunicação abertos em um momento de tensões com os EUA. A Rússia, na semana passada, aprovou uma nova política que reduziu seu limite para o uso de armas nucleares.
Ryabkov falou seis dias após a Rússia lançar o que descreveu como um novo míssil balístico hipersônico de alcance intermediário chamado Oreshnik contra a Ucrânia. Ele disse que o episódio enviou uma mensagem clara ao Ocidente.
“O sinal é muito claro e óbvio, pare, você não deve mais fazer isso, você não deve fornecer a Kiev tudo o que eles querem, não os incentive a novas aventuras militares, eles são muito perigosos”, disse Ryabkov, citado pela mídia estatal.
“A atual administração (dos EUA) deve interromper essa espiral de escalada”, ele acrescentou. “Eles simplesmente devem, caso contrário, a situação se tornará perigosa demais para todos, incluindo os próprios Estados Unidos.”, Ryabkov afirmou.
O presidente russo Vladimir Putin disse na semana passada que a Rússia disparou o Oreshnik em resposta ao primeiro uso da Ucrânia de mísseis balísticos ATACMS dos EUA e mísseis de cruzeiro Storm Shadow britânicos para atacar território russo com permissão do Ocidente.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, por sua vez, disse que o uso do novo míssil pela Rússia – que Kiev afirmou ter atingido uma velocidade de 13.600 km/h – equivalia a “uma escalada clara e severa” na guerra e pediu forte condenação mundial.
O exército dos EUA disse que o míssil era experimental e que a Rússia provavelmente tinha apenas um punhado deles.
O Kremlin disse que a Rússia não era tecnicamente obrigada a avisar os Estados Unidos sobre o lançamento do Oreshnik porque o míssil era de alcance intermediário e não intercontinental, mas que Moscou informou os EUA 30 minutos antes do lançamento de qualquer maneira.
“Tenho certeza de que você entende que esse foi um fator estabilizador na situação muito perigosa em que nos encontramos atualmente. Estamos comprometidos com essa prática e esperamos que os Estados Unidos também estejam comprometidos”, disse Ryabkov.
“E também esperamos que tais ações ajudem a reduzir os riscos de erros de cálculo ou enganos perigosos”, ele acrescentou.
Em um desenvolvimento separado nesta quarta-feira, a agência de notícias estatal russa TASS citou uma autoridade dizendo que Moscou estava continuando o trabalho para colocar seu míssil balístico intercontinental Sarmat – parte de seu arsenal nuclear estratégico – em serviço de combate.
O Sarmat foi projetado para lançar ogivas nucleares para atingir alvos a milhares de quilômetros de distância nos Estados Unidos ou na Europa, mas seu desenvolvimento tem sido prejudicado por atrasos e contratempos nos testes.
Em setembro, especialistas em armas disseram que a Rússia parecia ter sofrido uma falha catastrófica no último teste do míssil, deixando uma cratera profunda no silo de lançamento.
Fonte: CNN Brasil